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quarta-feira, abril 16, 2014

Simples, direto e lindo...



Digo
Não, digo
Faço
Não, faço

Romântico
Violento
Erótico
Apaixonado

Preciso 
Te dizer algumas coisas
Que só eu vou entender
Tem coisas
Que eu preciso
Você
É uma delas


terça-feira, abril 15, 2014

Neurótica



De manhã acorda chutando o travesseiro que a noite jogou nos pés
De dia, passa o tempo todo reclamando do que tem que fazer
De tarde, toma todos os remédios dessas doenças contemporâneas
De noite quer carinho, me chama.

Se eu não for, é morte
Contra quem vivo
Não que esteja jovial
Mas ela é meu norte.

Nada esta bom
Assim eu morro
Ontem 

Nasço amanhã
Hoje há espaço:
– Meu tempo é esse.

segunda-feira, abril 14, 2014

De repente



Amor, repentino
Deixa confundido
Quem quer
Continua indo 

Nada pode ser obvio
Contra 
Fazer
Sentido
No que for palpável
Tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas no que for puro
Muito mais que lindo
Ficarão.

sexta-feira, abril 11, 2014

Encontro perdido




Confesso, nunca fui bom em pedir desculpas, tanto que levei 20 anos para tomar a decisão de encontrar-me com Beatriz, foi um dos meus grandes amores, uma loira linda com os cabelos cacheados, olhos cor de mel, uma moça magra, eu amava deslisar minhas mãos em sua clavícula enquanto estava deitada em meu ombro conversando sobre o seu dia.

Hoje esta um dia frio, tipicamente seria um dia em que sairíamos para tomar um cappuccino e comer um pão de queijo, ela gostava dos que estavam queimadinhos por baixo, aquela boca carnuda mordendo o pão de queijo, era magico, como pude deixar de elogia-la nestes momentos, fosse hoje, colheria qualquer flor, escreveria te amo em um pedaço de papel e iria com um sorriso no rosto ao encontro dela. Lembro dela reclamar do meu humor, irritava-me com pouca coisa, um pingo de café em minha camisa e eu perdia o sorriso, mas mesmo assim ela sorria e dizia : "meu amor, é só uma gota, em casa limpo isso rapidinho, aproveita o pão de queijo que esta delicioso "  piscava o olho esquerdo e mandava um beijo.

Mesmo assim, a perdi.

Hoje, Vinte anos depois estou decidido ir ate a casa dela, vou me desculpar por todos os dias que eu não disse que estava linda, pelos dias em que meu mau humor impediu de beija-la com os olhos. Preciso fazer a barba, ela odeia os meus pelos, diz que lhe fazem cocegas e ela odeia cocegas, lembro bem disso, eu amava fazer com que ela ficasse brava e mandava parar, se não iria embora. Mas chega de lembranças...

Desta vez vou comprar algumas flores, não tenho mais 20 anos pra me aventurar pelo caminho atras de uma roseira, mesmo porque hoje em dia não costumam mais ter rosas no quintal. Enfim, eu já não teria forças pra pular algum muro, melhor é comprar mesmo.

Na data de hoje ela pode ter algum filho, vou comprar uma camisa de Rock, sendo homem ou mulher qualquer adolescente gosta de rock, rebeldia, sei como é, a mãe era assim!  Acho que tudo esta em ordem, barba feita, uma camisa nova, flores, um agrado ao filho e uma dose, de coragem !

Em frente a casa dela escuto crianças correndo, rindo indo pra lá e pra cá e ao fundo a voz de Beatriz, forte e sedutora como sempre, dizia : "Meninos, parem com isso, papai esta para chegar e vocês precisam estar limpos e comportados". Ouvir ela dizer "papai esta para chegar" e estar em frente a casa dela, me deu um arrepio na espinha e por segundos me senti o melhor pai do mundo, mas a vida me dá um tapa na cara e faz lembrar de que não construí uma família.

Apos respirar fundo inúmeras vezes, aperto a campainha, escuto os saltos, passos firmes, com certeza Beatriz, ao ser atendido surpreendo-me com uma visão de Beatriz, uns 30 anos mais novas, uma jovem linda que me olhava com cara de desdenho. Logo pergunto, Beatriz esta em casa?  ela se vira e grita: Mãe, tem um velho querendo falar com a senhora. (Velho ?  não estou tão velho assim, sua jovenzinha sem respeito), com certeza deve ter puxado o pai.

Beatriz veio da cozinha secando as mãos, a primeira coisa que eu vi foram aquelas lindas clavículas em um decote singelo, sempre reservada, vê-la não puder conter o meu sorriso, sorriso que pra ela era lindo. De imediato ela disse meu nome em tom de surpresa e me deu um abraço totalmente sem vontade, pediu para que a filha nos deixar sozinhos, fechou a porta e me perguntou o que eu queria ali, entreguei as flores, disse que estava linda e perguntei quantos anos a filha dela tinha.

17 anos

Se parece muito com você.

Mas se comporta exatamente como o Pai.

Você não gosta disso ?

Acho que essa não é a melhor forma de me pedir desculpas, não acha  ?

E como sabe que vim pedir desculpas  ?

Ter dormido com a minha prima no mesmo dia em que disse que iriamos construir uma família juntos, e depois de 20 anos aparecer em minha casa com rosas, embrulhos e barba feita... Se isso não for um pedido de desculpas, essa não é a casa de minha prima, você errou o endereço.

Antes que eu pudesse dizer que aquilo era realmente um pedido de desculpas, um carro encostou em sua casa, um cara barbudo, com as calças rasgadas, uma jaqueta de couro e um coturno desbotado, vem em nossa direção, sem se quer percebe a minha presença  não olha em meus olhos, diz: Oi Amor, o jantar esta pronto ? ela afirmou com a cabeça e ele entrou, dando um tapa na bunda dela. ( Se eu ainda tivesse a virilidade de antes, rancaria as barbas desse sujeito com as unhas) o que fiz foi arregalar os olhos e engolir minhas palavras.

Tentei dizer que naquele momento, passado, eu não agia com boas atitudes, mas de nada adiantou, ela estava desapontada ao ponto de dizer para que eu fosse embora, não voltasse mais ate a sua casa... E de fato era o certo a se fazer, os olhares dos filhos e do marido ja estavam me agredindo, o cheiro de frango estava dominando a casa, assim como a fome de todos eles, entreguei o embrulho e sutilmente toquei aquelas clavículas pela ultima vez, dando as costas desejei que tudo ocorresse bem na vida de Beatriz, e que ao menos essa noite, lembrasse do meu Beijo.

Mochila velha




Na mochila velha toda surrada eu tinha uma garrafa de água, uma blusa de frio e um 38 carregado. As vezes por eu sempre rir de tudo, quando eu falo serio acham que eu estou sendo grosseiro e arrogante não que as vezes eu não seja, mas na maioria delas eu só deixo de mostrar os dentes, assim como aquelas putas de esquina puxam a saia e cobrem os peitos e não deixam de ser putas.

Preciso comprar sapatos novos, esses meus já chutaram tantas cabeças e já choveu tanto sangue por eles que se forem querer fazer uma investigação, o que menos vão achar são vestígios meus... Estive lembrando dela, que morena, aqueles cabelos sobre os ombros, aquele olhar fatal, tinha uma tatuagem na nuca que eu só fui descobrir quando estava fudendo-a de quatro, enrolei aqueles cabelos na mão e quando vi tinha algumas estrelas acompanhada de uma lua.

Oh Morena, bela, tu gosta de admirar a noite ? Resposta curta, sim.

Intrigado com a tatuagem escondida, mas um tanto envergonhado para perguntar, convidei-a para ver a lua em uma sexta a noite. Sexta chegou, ela também, eu só tinha uma mochila velha toda surrada, uma garrafa vazia, minha blusa de frio e um 38 com 3 balas, as outras 3 usei treinando no muro de uma ex namorada.

Aluguei um quartinho simples uma cama um frigobar uma TV a cabo e uma varandinha pra ver a lua. Ela não se incomodou com a cor bege que inundava esse quarto imundo, sorte que a varanda era gostosa e batia uma brisa maravilhosa, Oh morena, deite-se ai eu vou pedir algo para nós. Ao voltar  ela estava nua, pulei na cama a espera do vinho, o que veio foi o gozo, "fudêmo", "comêmo" mas e a Lua ? Vamos ate a varanda, ela foi na frente, que bunda linda, a cada passo soletrava meu nome eu sentia ela me chamar.

Na varanda os dois juntos, sentindo a brisa ela diz que esta apaixonada, eu vou ate a cama saco o 38 e lhe dou um tiro, Puf...   Descarreguei as outras duas balas, Puf, Puf ... só pra certificar-me de que ela não cometeria esse erro novamente.  Agora só tenho uma mochila velha toda surrada a minha blusa de frio,um 38 e a calcinha que roubei, com um cheiro que era de matar.

quinta-feira, abril 10, 2014

A cor do teu tom



Nas entrelinhas
Inquietação carnal 
Toma conta
De mim, animal 
Como de fato sou 
Perco
O juízo 

Ao teu lado
Permito-me 
Repousar com a mente 
Calma
Eu lhe tenho 
Em minhas palmas
Minha 
Flor 
Eu só preciso do teu pólen
Quero sentir o seu sabor
Como um beija-flor.

Me beija, flor.

O quarto
Sauna 
Essência natural 
Exalada por sua pele
Melhor especie de toda a fauna 
Seu cheiro
Procura-me
Contornando  
Defeitos, deixa...  

Os tons da sua pele
Se enrubescem 
Com meu toque 
Carinho, pervertido
Ousado 
Meio a fios 
Extenso 
eu 
Entrelaço-me 

Me deixa, cor. 

Dominou 
Meu coração 
Uma forma
Sutil 
Deixou-me
Não dormir 
sussurrou em meu ouvido
"vamos tirar a roupa" 
"não contenho a minha boca."


De baixo de um edredom
Ela tira
O moletom 
É ficar
Quetinho 
Que agora ela dá
O tom.

Me mostra, tom.

Nos trilhos
Destes 
Pensamentos 
Sensual 
Umedecendo-se
Sedução desenfreada
Subitamente desprendida
De roupas e vestes 
A chama 
Acendia-se 
Olhar consentido
Um quase ter 
Por quase
vir a ser. 

Me beija
Deixa 
Me mostra 
Em qual flor 
Encontro
A cor do teu tom.